sábado, 4 de setembro de 2010

Para uma vida melhor

A palavra cotidiano tem o mesmo significado que dia-a-dia, e pode remeter a diário, em relação a repetição, e logo está visão de repetição logo remete a tédio, cansaço e muitas vezes até a frustração.
A wikipédia tem um bom artigo sobre o cotidiano, ou ainda "quotidiano" para os portugueses:

Já Chico Buarque tem uma música que se chama cotidiano, e mostra através da arte uma visão bem mais ampla, mas ainda sem surpresas, como é de esperar do significado do termo, ele mostra a alegria de um amor que belo ainda parece estático, o dia com o pensar sobre o dia, com o comer, ele mostra muitos prazeres do cotidiano e o fim deles.
Link para letra e vídeo da música "Cotidiano" de Chico Buarque:


Falei um pouco sobre o cotidiano, mas ainda não sobre o título deste blog, "Salve o cotidiano", bem, quando digo salve não remeto-me ao significado de exaltar o cotidiano, não da forma que a palavra exaltar é vista, no seu conceito mais direto e talvez óbvio, que é elevar sem uma justificativa "em si", mas quero que o que cotidiano seja salvo. Ver pessoas que sofrem muito, e ver como é comum vê-las com problemas em relação ao cotidiano, seja por "entrar" exageradamente nele, ou ainda, o contrário, por não se adaptar ao dia-a-dia, à rotina diária. Então venho, para através de uma melhor apreensão do cotidiano muitas pessoas terem uma vida melhor, seja mais simples ou não, apenas quero ajudar, não crio este blog com intenções comerciais ou mesmo para lucrar de quaisquer maneiras, mas para poder ajudar as pessoas, e através disto ver mais pessoas a serem ajudadas.

Obrigado pela atenção dispensada neste pequeno texto inicial, espero já ter consegui algo, ao definir de forma abstrata esta minha iniciativa. E à uma vida melhor!!!

A noite nublada, fim ou início

Meus olhos antes tudo viam, agora presos em vários fios negros, cabelos de um preto puro, que me encantam, e deixam a lua perdida, as estrelas escassas, numa visão completamente obnubilada tenho agora.

Olhos que não olham diretamente em outros, e que se perdem, até mesmo a capacidade de identificar as coisas é perdida, não sei mais nada, mas os seus cabelos negros me atormentam, se eles trazem dor ou prazer, e, se me farão alegre ou triste também não o sei, apenas estou perdido em busca da tua mão para um afago.

E diferente do que disse o poeta Augusto dos Anjos nos seus "Versos Íntimos", não sei se "a mão que afaga é a mesma que apedreja", nada é percebido entre estas nuvens negras no céu, ou através dos teus cabelos, e a ansiedade aos poucos me entorpece, em breve os vultos se tornam quimeras.

Só resta a ti agora o afago ou a pedra, antes que me perca em meio a indefinição, antes prefiro a pedra a tornar a este amor, este insólito amor que impertinente me tira o sono e a concentração para viajar por entre as nuvens negras da tua indecisão, asfixiado nos teus cabelos pretos, sem ao menos saber o que está por vir, se o breu da solidão ou o amanhecer de uma paixão.


Augusto dos Anjos - Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Novas experiências, novo blog

Agora com o meu novo hábito de navegar na internet pelo celular, decidi criar este novo blog, que espero vincular em breve à todas minhas redes sociais.
Além disto, também tenho passado por situações tão diferentes que minhas portagens não estariam de acordo com o padrão do meu antigo blog, e pretendo ainda escrever de forma mais ávida, sendo o que antes chamava de promíscuo, produzindo com bastante frequência.
Pensei em escrever mais pelo twitter, mas queria ter a possibilidade de escrever mais, e definitivamente não gosto de ter que fazer postagens aos pedaços ou mesmo ter que me preocupar com o tamanho da postagem.
Bem, para aqueles que não acompanham o que produzo, saibam: faço apenas o que me apetece, o que tenho desejo, e para arte a liberdade é imprescindível, e ainda peço, por favor não utilizem minha postagem para conceituar-me, elas obedecem à minha realidade.
Grato pela atenção, ainda esclareço que também não produzo com base em conceitos estético-artísticos, ou mesmo com um determinado padrão de tempo.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

GENEALOGIA DA AMORALIDADE

A dissimulação do ser humano é algo bem comum, desde a pré-história o homem tenta enganar a sua preza e o seu algoz que tenta lhe devorar, temos uma realidade suja, porem vista como nobre, o campeão é o melhor caçador, visto como forma de sobrevivência, sendo premiado então, se não pelos companheiros, mas sim pelo prazer de satisfazer sua fome e continuar vivo, e começa então o fundamento da nossa sociedade, onde o que é julgado nobre não existe e só veio a existir como conceito em função do ser humano animal que sobreviveu e se "desenvolveu".

Hoje vivemos numa sociedade socrática-judaica-cristã, e a filosofia nietzschiana julgou como culpada pelo rompimento entre o homem e si mesmo, num contexto que o valorizado é a culpa, mas esta mesma sociedade também é a que tem arraigada nas suas entranhas a dissimulação e/ou a mentira, temos uma realidade onde o erro é motivo de culpa, mas não é evitado, e mais importante é o objetivo ou intenções, e ainda julgam como errado a frase que Maquiavel nunca disse "os fins justificam os meios". Então temos uma sociedade que tem valores que mais são máscaras, e o diferente, que é o que não usa máscara é o errado, que é julgado e punido.

O julgado e punido é feito como forma de ressarcimento ao lesado, sendo lesado o que usa a máscara diante do que não usava, pois não se deve expor a realidade feia, e o punido o sincero, não se deve alterar a ordem social. Obedecer aos costumes, à etiqueta, e aparentar mil e umas coisas é a postura a ser seguida. Princípios são ideias e conceitos que foram criados para fixar a culpa àlguma coisa além da teologia, ateus também precisavam de culpa.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

o(a) dia (vida) perdido(a)

O sol me acorda, os segundos escorrem no relógio, outra nova rotina, coisas novas, e tristes, na jornada o sol se torna quente e irritante, um amigo é esquecido, e tudo continua, a fome vem, o sol é tomado por nuvens cinzas, o dia até parece melhorar, e em meio a carros e pessoas a chuva começa a cair, pessoas correm e se espremem em busca de abrigo, de fato o dia melhorou, as mesmas pessoas então aparecem, a mesma comida, e tudo não passam de surpresas meio desagradáveis, negócios não são resolvidos e o dia é abandonado, a chuva ainda cai, e os segundos deslizam, todos ainda estão no dia.
Agora consigo um tempo só, sinto quanto é difícil se desfazer das pessoas, elas continuam a existir e a importunar, e ainda necessito importuna-las, não dá nem para fugir, minha mente cansada de monismos dualistas, ao absoluto incerto e ao relativo totalitário, não queria pensar, bastava suprir algumas necessidades, não sei porquê, ainda sigo em frente, ainda penso como me parece ser a maneira correta, para conseguir algo, estou perdido em meio aos outros.
A indecisão constante deixa àmostra uma necessidade, vinte anos e nada para fazer, entrando no buraco que é as necessidades criadas, os desejos artificiais, vinte anos e agora não posso desistir, abandonar tudo, as estrelas sempre morrem, seguir em frente como todos como soldados que vão a guerra, o fim só vem mais rápidos, o verão é esquecido, o tempo passa mais rápido, nem dá para amar ou viver, objetivos que nunca são alcançados, e se o são a satisfação não existe, e sim um novo objetivo para chegar, tenho objetivos infinitos, mas quero satisfação.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Você, não sei como

Me senti bem com a sua companhia, pouco tempo, pouco contacto, esqueceste o meu erro e me procuraste, mas somos distantes o suficiente para não ter o contacto que queria, você passou rápida e fugaz, como uma leve tempestade de verão, não sei se serás como uma tempestade de verão britânica ou apenas uma garoa, sei que resdespertaste o meu interesse e nem posso contacta-la.
Lembro da sua pele, da sua voz macia, da sua calma, e não sei nem se isto é tão real, minhas memórias de você são poucas, e sei que agora você é tão enigmática quanto um eléctron, não sei se conseguirei, mas desejo ao menos caminhar algumas tardes com você, ou deitar na grama enquanto nuvens ou estrelas passam.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sofrer relativo

Noite, mais uma noite, e as coisas são as mesmas, parece apenas a marcação do ritmo que é a música, esta música sendo a vida, até mesmo as vírgulas tem o seu espaço, as pausas e os movimentos, o inesperado sempre presente se torna previsível, tudo é monótono, o cinza ainda é cinza, o preto ainda preto, até devaneios pertencem ao padrão.

Estou ficando cansado de tanto viver essa coisa regular, a certeza da incerteza, o possível relativo, o impossível, tudo acontece calmamente, e no completar do ciclo do relógio a expectativa não é tornada realidade, mas sim a certeza, e moldamos o amanhã, criamos altos e baixos, fases, onde o caos parecia reinar mas não era certo, a angustia é tão patética que se torna angustiante, e paradoxos continuam ao sabor de tudo.

Sinto doer uma dor que não dói, e peço, alguém, me tire a razão para que a vida possa parecer diferente, talvez nem isto resolva, a loucura ainda me seria previsível, o pensar se faz inútil por si mesmo, mecanismos e dispositivos ordenam de forma desorganizada as coisas, não parece haver fuga, não há fuga, então, continuo a dar um passo atrás do outro? O encanto se desbota mesmo no colorido mais vivo, a tristeza desaparece mesmo no dia mais cinza, e o amor se esvai, se existe se esvai, ele vai e continua indo.

Novos prazeres, sabores, sensações, nem parecem tão diferentes, o julgo continua ainda, nunca pesado demais, nem deixa de existir, e nada se pode fazer.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fins nas pedras

Caminhava sobre as pedras num dia de chuva, e não fazia sol, apenas as pedras, e a água a escorrer pelo meu corpo, sentia que era como uma pedra quando parava, então continuava a caminhar, em frente, sem destino, mas em frente, e quanto tempo estive caminhando assim, e continuo.
Agora o frio já me perturba, o forte vento gélido tenta atravessar-me, e meu rosto dói, minha casa esta longe, estou no meio do nada, as luzes me atordoam, não sei para onde seguir, e lembro que me disseram que "onde estivermos será a nossa casa", mas não sentia isso, aliás, nunca havia sentido isto, tudo parecia estranho, nunca estava, como dizem, a vontade, mesmo sozinho no nada, era tão desconfortável, será que todos sentem isso?, ou fingem que estão bem?, ah, como odiava isso, como podem se sentir bem, ou mesmo fingir, e sempre estive como que ao leu de tudo.
O ódio parecia diminuir o frio que sentia, ao menos, as pessoas me serviam para isso, parecem tão inúteis, mas também não queria ser como o menino lobo, mas até que não seria tão ruim, pensaria diferente, seria mais livre, talvez me sentisse melhor, pois tudo me parece um fardo, e não sei como acabar com isso, não gosto de nenhum fim que me é apresentado, minha família talvez seja algo menos ruim que outros, me parece uma tortura continua e lenta, mas assim estaria longe de ser algo desprezível pelos outros, que um tanto odeio.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Inútil Ética

A questão ética está além da emergência do cotidiano, por estar no cotidiano, poderia-se considerar uma constante a trivialidade da luta ética, entre o que é e o que não é ético, algo reduzido, mas de forma a concentrar a ética em meros debates do que seria ética, dificilmente se vai além disto, mesmo quando buscam-se o ser ético, hão fatores que tornam esta ética, em ética-a-vir, então, como em devaneio cria-se e recria-se, numa frustrada tentativa de construir ou ao menos encontrar os alicerces da vida social.

Temos a diferença entre ética, moral e direito, sendo ética como uma ciência, a moral o senso de ética, por assim dizer, e, direito o que deve reger a vida em sociedade, mas na realidade, atribui-se a vida social, digo, a sua existência mediante conflitos entre pessoas, conflitos de toda a sorte, as três, e são tratadas como se todas ou cada ordenasse esta, a vida social, temos então uma bela divisão, além de diversos sistemas, mas esta divisão e sistemas não existem, são tão visíveis quanto as divisas geográficas, mas também tão aplicáveis quanto, já que como as divisas existem apenas pela força humana de sistematização.
Sendo assim, as três, ética, moral e direito, estão separadas, uma diz, a outra pensa e age, e, a última impõe, o certo e o errado, e atribuem ao errado punições, de alguma forma qualquer, de modo que a pessoa que sofreu dano seja ressarcida, mas isto, no geral, implica em dano ao tido como infrator, como forma a evitar o errado, e "diminuir o benefício" que o infrator tenha o o dano implicado.

Bem, agora temos uma noção das funções deste "tripé" da sociedade, sabemos que não é perfeito nem para seus próprios parâmetros, mas, é o que nos é imposto, por diversas formas e maneiras, sendo impossível fugir, assim como o contato social, isto, acredito, tenha se iniciado, como maneira para preservação da vida, ainda em animais, pela evolução, talvez tenha sido em seres unicelulares, como forma de preservar o espaço, que deverás, é essencial a vida, então se pensa uma ética, e isto e aquilo é certo, tal coisa é errada, se A fizer isto então não é errado fazer ato qualquer, temos diversos sistemas, regras, normas, e em todas as relações sociais, estamos presos a isto, ainda antes de nascer, mas também não quero me deter em quando inicia-se a responsabilidade, e até mesmo o que seria, não, fujo do carater reducionista que criou tantas coisas que só existem em si.

Vivemos numa sociedade, óbvio, somos submissos a ela, e, ainda que não o fosse em sociedade, teríamos que determinar o que fazer a cada momento, ou mesmo fazer coisas que nos são naturais, que são características de cada espécie, para então determinar, e a sociedade, monta uma série de barreiras, de modo a que sejamos minimamente mais controlados, mas temos barreiras, punições, a torto e a direito, e não existe ética que se aplique, existem pensamentos, que como coletivos, seguem sem destino, mas continuamente impulsionados, do certo e errado, algo por vezes tão arbritário quanto necessário, e estando em meio a isso fica difícil pensar, sem acabar sendo mais um reducionista inútil.

terça-feira, 23 de março de 2010

Lembranças às cinzas

O ar está pesado mas já posso ver,
ainda com o cheiro de queimado,
estou consciente, não mais tão inebriado,
as cinzas do que vivi, são tudo que posso ter,
você esta morta, as lembranças pertencem ao passado,
e a dor corta, sinto nada conseguir fazer.

Ainda a tinha naquela noite fria,
não imaginava que o sonho era um drama,
que toda a felicidade não passava de uma fantasia,
imaginava o fim da dor em meio a estas chamas,
desesperado, sabia que o fogo nada destruía,
estava dentro de mim, não na solitária cama.

Tudo tem um fim, estamos fadados ao fracasso,
você trouxe alegria, mas preferiria o passado,
eu vivia triste, poderia agora ser diferente,
ao menos eu ainda continuaria a viver,
se nunca tivesse conhecido você.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Algo novo como antes

O tempo não passa, nos que discorremos nele, escorremos esparramados, e amarrados, efémeros, os dias não o são, nos sim, vivemos e morremos, talvez morremos mais que vivemos, tudo continua, ou melhor, as pessoas continuam, somos apenas produtos numa esteira, em uma fábrica suja e desordenada, mas que a esteira não pára, de uma lado são construídos e do outro reciclados, num ciclo inútil, somos isso, um grande nada.



¿<>, como você pode me dizer isto, <>, o que faz você pensar isto? E as interrogações acabam se transformando em buracos negros, onde se vai para lugar nenhum, e tudo deixa de <>, olha, a interrogação até me lembra, é como se fossem dois pontos, um existe e o outro esta sendo destruído pela força do buraco negro, mas o outro será o próximo!?



Somos algo? O ser, o que seria o ser? O que estou escrevendo, estou me perdendo em palavras, abstrações ¿inúteis? sobre não se sabe o que, mas não se sabe que se sabe, e agora, ¿aonde está a resposta, ela existe? Será tudo, mesmo, um grande nada, uma incógnita, seria apenas um monte de símbolos desordenados e descoordenados, inúteis? Não, na realidade tudo isto me parece opaco, tudo é nada, não, também digo, nada não é, é algo que existe e não é, ou, é e não existe, algo simplismente sem direção, até mesmo sem sentido...

segunda-feira, 1 de março de 2010

sobre sexo

Segunda-feira, um dia qualquer, como qualquer outro dia, sempre é assim, não mudará, logo cedo já estou a caminho da fábrica, com o almoço, bem no início do dia.
O ar pesado, que sempre me lembra a fábrica, sugere que agora devo ser "o operário", mas logo, o ar burocrata da entrada da empresa, é abandonado por conversas, principalmente sobre sexo, e, falamos bastantes coisas relacionadas a sexo, só interrompidos por supervisores, e outros assuntos corriqueiros.
Depois do trabalho, tomo uma cerveja com alguns colegas, vou para casa, tomo um banho, como e então durmo, o sexo, bem, ele fica para o fim de semana.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Utopias

Queria falar sobre isto, mas antes pensei o título, parece tão bobo, na realidade é, mas não gostaria de me deter nisso, a importância de algo não é útil a arte, assim como não é para mim, então, como não tenho objetivos com este blog, a não ser me expor, e quando o tento mostro um pouco de mim, seja através de personagens difusos, alteregos, ou até monólogos, como este.
Bem, acho que agora posso falar de utopias, a vida de todos os seres humanos giram em torno de utopias, mas são tratados de foram diferente, escondidos ou deformados, para que sejam possam aceita-los sem problemas, a dor não nos deixa, e a utopia também não, talvez sintamos dor por causa de nossas utopias, ou seja elas que expiem nossas dores, não sei, acho que a relação causa-consequência é algo que reduziria a questão, pois não a vejo como aplica-la na unidade que acredito ver, que descrevo.
Utopias, tenho tantas, nunca as poderei alcança-las, tento conhece-las, a despeito da dor que geram, tenho uma capacidade incrível de não sentir tanta dor, é bom ser medíocre, mas é como se a ferida sempre esteja lá, e doesse apenas às vezes. Esta relação com a dor de existir, bem, não a classifico como boa, ou má, ela existe e o seu julgamento estaria preso aos pressupostos usados, não quero tratar de meus problemas, se é que o são, de forma arbritária, que apenas vivência-los.
Continuo caminhando, como se a vida fosse um jogo qualquer, é realmente o que me parece, a importância disto, não sei nem se existe, mas gosto de ver coisas perfeitas, e buscar objetivos, ainda vivo, bastante e bem, mas sei que o nada é maior que tudo, tudo é inútil, o sentido da vida não existe...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Rigor Vivicus

Nada existe, ela ainda não apareceu, nada faz sentido, as pessoas ao meu redor me olham, outras passam, como se fosse um cadaver na rua a bastante tempo, o fim parece irreal, longe demais daqui, mas iminente, o sofrimento continua a cortar a carne já lacerada, há pouca carne, apenas restos, e a dor é o ar que respiro.

Sou obrigado a viver, e a continuar com tudo isso, a seguir em frente, a ser bem sucedido, a estar alegre, a ter saúde, eu não existo em meio a tantas obrigações, em meio a tantas interesses irrelevantes, na realidade sou como os outros, mas queria um pouco mais de liberdade, poder voar, nem que fosse de uma ponte ou prédio.

O ar não falta, consigo respirar e ainda sinto o vento no rosto, ouço músicas alegres, vejo crianças sorrirem, se tudo é uma desgraça e ainda fingem estarem tão felizes. Pessoal olha para mim, quero atenção, carinho e seu dinheiro, droga, eu não quero isso, nunca conseguem me entender, também não sou um suicída, nem psicopata.

Por que ainda tenho que lidar com pessoas, vocês, sim, vocês, são despreziveis, poderiam nem existir, assim tudo seria melhor, mas ainda preciso viver. Ainda existe esperança, odeio isto, queria alguém, queria outra vida, mas sei que em breve irei querer outra coisa, eu, sempre fico triste ao "matar a fome", preciso de fome para viver, não digo que para continuar com vida, mas para continuar seguindo em frente, talvez alguém ainda apareça e mude isto, mas para mim, essa pessoa não existe.