Noite, mais uma noite, e as coisas são as mesmas, parece apenas a marcação do ritmo que é a música, esta música sendo a vida, até mesmo as vírgulas tem o seu espaço, as pausas e os movimentos, o inesperado sempre presente se torna previsível, tudo é monótono, o cinza ainda é cinza, o preto ainda preto, até devaneios pertencem ao padrão.
Estou ficando cansado de tanto viver essa coisa regular, a certeza da incerteza, o possível relativo, o impossível, tudo acontece calmamente, e no completar do ciclo do relógio a expectativa não é tornada realidade, mas sim a certeza, e moldamos o amanhã, criamos altos e baixos, fases, onde o caos parecia reinar mas não era certo, a angustia é tão patética que se torna angustiante, e paradoxos continuam ao sabor de tudo.
Sinto doer uma dor que não dói, e peço, alguém, me tire a razão para que a vida possa parecer diferente, talvez nem isto resolva, a loucura ainda me seria previsível, o pensar se faz inútil por si mesmo, mecanismos e dispositivos ordenam de forma desorganizada as coisas, não parece haver fuga, não há fuga, então, continuo a dar um passo atrás do outro? O encanto se desbota mesmo no colorido mais vivo, a tristeza desaparece mesmo no dia mais cinza, e o amor se esvai, se existe se esvai, ele vai e continua indo.
Novos prazeres, sabores, sensações, nem parecem tão diferentes, o julgo continua ainda, nunca pesado demais, nem deixa de existir, e nada se pode fazer.
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