quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Carta - Delirium

Nem sempre antes de morrer uma flor consegue desabrochar, ceifam flores todos os dias, e normalmente não ficam sementes, poderias esperar não sermos ceifados, nós inclinando para perto da lâmina afiada ou deitando no chão de forma a esconder o brilho das pétalas, mas não gostaria de experimentar uma sensação amadeirada, gosto da tenacidade e fugacidade ao mesmo tempo, e assim paradoxalmente, vivo, ou como prefiro e sempre digo a minha mãe, sobrevivo, porque a vida é apenas um conjunto de intempéries, que procuram, acima de tudo, nos degradar, mesmo ao resistir somos degradados, até a lembrança de ti, antes submissa á ideias preconceituosas que subjugam a fora apreensão da tua existência, a distorcendo, ainda é degradada, sim, a sua existência em mim, antes sujeita a julgamentos tendenciosos que buscam interpretar de forma já existente através do julgamento preliminar anterior, sim, essa sua existência será degradada pelo tempo, pela inconsistência da minha mente, e mais posteriormente, por novos outros julgamentos, sempre que acessar na minha memória você, então, preciso de você novamente, para evitar tua obnubilação através de mim, não quero que a sua existência, antes distorcida, passe a ser túrbida e incerta, fruto da mente de um humano, do delirium de uma vida inconstante.

Me encontre, antes que deixemos de existir, antes que deixemos de ser, antes que a essência destrua a experiência, e tudo passe a ser um conjunto incerto de premissas inúteis e irregulares.

Antes a tenacidade, agora experimentar a fugacidade de aos poucos deixar de existir, antes que o crepúsculo se torne a escuridão infinita e eterna, deixe-me sentir novamente, agora não são apenas os desejos que impulsionaram à conhece-la, agora há a vontade, e essa vontade me levaram, me levam e me levarão a abstrair sua existência acumulada em mim, tornando uma distócia, você... E a após essa lastimável degradação, virá a morte, a aprosexia.


Desculpa essa imperatividade da inconstância, assim como os meus erros de português (inclui palavras usadas indevidamente), escrevo o que penso agora, como já disse, e penso isto por sentir, a vida me vem neste momento com a sua face mais assustadora, de forma a me fazer amá-la e rejeitá-la, com um tremenda variabilidade entre estes extremos, sem ter o que pensar, sem ter como fugir do ser ou não ser, do viver ou não viver, e tudo isto que sinto agora se traduz nesta mensagem angustiante, de alguém que ainda está a viver, sem saber até quando e quanto, ou, por quanto ou quando...

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